quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Virtudes e vícios dos Peixes



No capítulo II do "Sermão de Santo António aos Peixes", o pregador apresenta os louvores (virtudes) aos peixes, em geral: são bons ouvintes; foram as primeiras criaturas criadas por Deus; são obedientes, tranquilos, devotos e são prudentes.
Já no capítulo III, Vieira refere as virtudes dos  peixes, em particular. Destaca , então, o Peixe de Tobias cujo fel cura a cegueira (tal como as palavras de S. António) e cujo coração lança fora os demónios (o mesmo se passa com os sermões de Santo António); a Rémora, sendo um peixe tão pequeno, é comparado à língua de S.António pela sua força e determinação; o Torpedo faz tremer o braço do pescador (da mesma forma as palavras de S. António fazem tremer os ouvintes); o Quatro-olhos simboliza a vigilância atenta aos perigos que podem surgir de qualquer lado.

Relativamente aos vícios dos peixes, em geral, no capítulo IV, o pregador realça que estes animais comem-se uns aos outros, com a agravante de serem sempre os maiores a comerem os mais pequenos. São-lhes ainda apontados outros defeitos como a ignorância, a cegueira e a vaidade.
No capítulo V estão presentes as repreensões, em particular. A cada peixe corresponde um defeito humano. Os Roncadores simbolizam a arrogância; os Pegadores simbolizam a dependência e o oportunismo; os Voadores simbolizam a ambição e a presunção e o Polvo simboliza a hipocrisia e a traição.

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