terça-feira, 31 de maio de 2011

CORRECÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO

Grupo I

1.        O presente excerto situa-se no capítulo XVI da obra “Os Maias”, de Eça de Queirós, na acção, mais concretamente na sua parte final, dando conta do encontro entre Ega e Guimarães, após o Sarau no Teatro da Trindade. Constitui um momento fulcral da intriga que irá desencadear a separação de Carlos e de Maria Eduarda.

2.        Guimarães, que havia conhecido Maria Monforte e Maria Eduarda, revela a Ega que esta e Carlos são irmãos, pensando, contudo, que esta informação já era do seu conhecimento. O excerto apresenta as várias reacções do amigo de Carlos, após a notícia recebida.

3.        Ao longo do excerto, Ega sofre reacções diversificadas. Inicialmente fica incrédulo perante as revelações de Guimarães. Não acredita que numa sociedade bem documentada possa ocorrer uma coincidência tão singular e atroz (desde o início até “um terror novo…”). De seguida, começa a admitir a probabilidade da relação incestuosa. Afinal, seria natural que dois irmãos, separados na infância, se viessem a destacar na sociedade lisboeta onde viviam, reparassem um no outro e se apaixonassem (desde “Depois levantava os olhos…” até “… o amarem-se era provável…”). Finalmente, aceita a verdade, pois a história de Guimarães é consistente, não tem uma única falha (desde “E um dia o senhor Guimarães… até ao fim).


4. Na Academia de Coimbra, Ega surge caracterizado como um ateu, um demagogo, um rebelde; posteriormente, aparece, em Lisboa, um Ega diferente, um “dandy”. Fisicamente é magro, baixo, possui uma “figura esgrouviada e seca”, bigode, nariz adunco e quadrado de vidro entalado no olho direito.
 Com indubitáveis semelhanças com Eça de Queirós, a personagem aproxima-se também do autor em termos literários, pois assume-se um defensor das estéticas realista e naturalista.
 Amigo íntimo de Carlos, acompanha a sua relação amorosa com Maria Eduarda, comporta-se como adjuvante do protagonista relativamente à oposição de Afonso da Maia. É o primeiro a saber, por Guimarães, do parentesco que une os irmãos e é ele quem informa Carlos desta situação.

5.    N’”Os Maias” está presente uma estrutura trágica, bem visível neste excerto, pela presença do reconhecimento ou anagnórise quando Guimarães revela os documentos que comprovam que Carlos e Maria Eduarda são irmãos. Este excerto vai também despoletar a catástrofe (morte de Afonso e separação dos amantes).


6.    O excerto apresenta marcas de narração, momentos de avanço da acção, expressos por verbos dinâmicos e predomínio de nomes (“Guimarães não descia.”; “Ega recomeçou a passear lentamente pelo meio do largo.”). A descrição está presente nas informações dadas acerca de Carlos (“Pela sua figura, o seu luxo…”) e de Maria Eduarda (“…loira, alta, esplêndida…”), correspondendo aos momentos de pausa da acção e nela se destacam os adjectivos e os verbos estáticos. O monólogo interior, expresso frequentemente em discurso indirecto livre, é o modo de expressão privilegiado no excerto. É através dele que Ega dá a conhecer as suas reacções face às revelações de Guimarães (“Não podia ser!”; “Há nada mais natural?”). Finalmente, o excerto termina com o diálogo, momento de discurso entre Ega e Guimarães.

7.    Estilisticamente, destacam-se, neste texto, a adjectivação expressiva para, por exemplo, caracterizar Maria Eduarda como uma mulher que se distingue na sociedade lisboeta (“loira, alta, esplêndida”), bem como a metáfora, com o mesmo objectivo (“flor de uma civilização superior”); a repetição expressiva do advérbio de negação (“Não!”) a realçar a incredulidade de Ega quando toma conhecimento do parentesco de Carlos e de Maria Eduarda; ou ainda o uso do diminutivo para destacar a vulgaridade das mulheres e dos homens lisboetas (“mulheres miudinhas”; “um mocinho encolhido”) por oposição a Carlos e a Maria Eduarda.

Grupo II
1.        “surgira” – forma do verbo surgir, no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, na 3ª. pessoa do singular; “subia” – forma do verbo “subir”, no pretérito imperfeito do indicativo, na 3ª. pessoa do singular; “trouxesse”- forma do verbo trazer, no pretérito imperfeito do conjuntivo, na 3ª. pessoa do singular.
2.        No excerto apresentado, está presente a frase declarativa (“Guimarães não descia. No segundo andar surgira uma luz viva, numa janela aberta.”) utilizada para narrar factos, dar conta dos acontecimentos (neste caso, a espera do Ega). Encontra-se também a frase exclamativa (“Não podia ser!”), a evidenciar a primeira reacção de Ega, de incredulidade, perante as informações recebidas de Guimarães. Está presente ainda a frase interrogativa (“Era acaso verosímil… à mãe Cruges?”) a destacar as dúvidas que assaltam o espírito da personagem sobre o parentesco de Carlos e de Maria Eduarda.
3.1.        Se ela fosse feia – frase subordinada condicional; e trouxesse aos ombros uma confecção barata da Loja da América – frase coordenada copulativa; seguiriam diversamente os seus destinos – frase subordinante.
3.2.        Frase coordenada copulativa; fase coordenada copulativa assindética.
3.3.        Mal desceu Guimarães – frase subordinada temporal; Ega dirigiu-se para ele, curioso – frase subordinante.


Grupo III

 A resposta é pessoal. Contudo, o texto deverá seguir o modelo de texto expositivo-argumentativo e demonstrar o conhecimento da obra Os Maias”, de Eça de Queirós.

terça-feira, 3 de maio de 2011

OBJECTIVOS PARA O TESTE DE AVALIAÇÃO

- Conhecer o contexto histórico-cultural da Geração de 70;
- Conhecer a biografia de Eça de Queirós;
- Conhecer a arquitectura d’”Os Maias”;

- Distinguir intriga e crónica de costumes;

- Aperceber-se da importância dos vários episódios da crónica de costumes (criticar a sociedade da época);

- Distinguir intriga principal e intriga secundária;

- Aperceber-se do paralelismo existente entre intriga principal e intriga secundária;

- Reconhecer a presença de elementos de tragédia (destino, presságios, peripécia, reconhecimento, catástrofe);

- Caracterizar as personagens;

- Conhecer o seu relevo e concepção;

- Reconhecer processos de caracterização das personagens utilizados;

- Analisar o espaço (físico, social e psicológico);

- Analisar o tempo (da história, do discurso, psicológico);

- Analisar o narrador (presença, focalização);

- Reconhecer e caracterizar os diferentes modos de expressão presentes;

- Aperceber-se dos vários elementos simbólicos da obra;

- Identificar e avaliar as principais marcas do estilo de Eça de Queirós;

- Aplicar conhecimentos relativos a conteúdos gramaticais estudados;

- Redigir um texto expositivo-argumentativo a propósito da obra estudada.